
A castração é um procedimento cirúrgico realizado para remover os órgãos reprodutivos, sendo os testículos nos machos e os ovários e às vezes o útero nas fêmeas. Esse procedimento é amplamente recomendado por veterinários para prevenir a reprodução descontrolada, reduzir riscos de doenças e promover o bem-estar do animal.
“Os animais não precisam ter libido sexual como os humanos, e o excesso de hormônios pode acarretar diversas doenças, como infecção de útero, tumores de mama, problemas dermatológicos”, alerta a veterinária Ana Carolina Teixeira Ibelli.
Além dos benefícios à saúde, a castração também traz alterações significativas no comportamento dos cães, ligadas às alterações hormonais que o procedimento provoca. A redução de hormônios como a testosterona, nos machos, e o estrogênio, nas fêmeas, afeta diretamente aspectos como agressividade, energia e tendências reprodutivas.
Embora muitas dessas mudanças sejam positivas, é importante que os tutores estejam preparados para entender e lidar com elas. Veja abaixo!
A castração pode diminuir a agressividade dos cachorros, especialmente nos machos, pois reduz os níveis de testosterona. Isso pode tornar o animal mais calmo e menos propenso a brigas ou reatividade. No entanto, é importante lembrar que agressividade também pode estar ligada às experiências do pet e à educação oferecida pelo tutor. Caso o comportamento agressivo persista, é recomendável buscar ajuda de um profissional em comportamento animal.
A marcação de território com urina é um comportamento instintivo dos cães, especialmente machos, para demonstrar dominância e atrair fêmeas. Após a castração, a produção de testosterona reduz significativamente, o que diminui essa necessidade de marcar território.
Essa mudança costuma ser mais perceptível em cachorros castrados jovens, antes de desenvolverem o hábito com frequência. “Se castrarmos um macho antes dos 6 meses de idade, ele ainda não terá adquirido o hábito de levantar a perninha para urinar e assim permanecerá”, completa a veterinária Ana Carolina Teixeira Ibelli.
Os machos castrados perdem grande parte do interesse em fêmeas no cio, pois a testosterona, responsável por estimular o comportamento reprodutivo, é drasticamente reduzida. Isso faz com que eles se tornem menos inquietos, reduzam comportamentos como latidos excessivos ou tentativas de fuga para encontrar fêmeas.
Uma das mudanças mais comuns após a castração é o aumento do apetite, causado pela alteração no metabolismo e na regulação hormonal. Os hormônios sexuais contribuem para o gasto energético, e sua redução pode levar a uma sensação constante de fome. Isso torna os cachorros mais propensos ao ganho de peso. Para evitar a obesidade, é importante ajustar a quantidade e a qualidade da alimentação, optando por rações específicas para cães castrados e garantindo uma rotina de exercícios regulares.
Com a castração, os cachorros apresentam uma significativa redução em comportamentos como monta em outros animais, objetos ou até mesmo pessoas. Isso ocorre devido à queda nos hormônios sexuais que estimulam esses instintos. Essa mudança proporciona mais tranquilidade no convívio familiar e em situações sociais.
Por vezes, as cadelas também podem apresentar o comportamento de montar, mesmo sendo castradas. “Machos produzem hormônios femininos, em pequena quantidade, e fêmeas produzem hormônios masculinos, também em pequena quantidade. Provavelmente, as fêmeas castradas podem ter essa reação por ação hormonal”, afirma Ana Carolina Teixeira Ibelli.
Imagem: Ermolaev Alexander | ShutterstockOs cães castrados geralmente apresentam uma diminuição na hiperatividade, pois os hormônios sexuais também influenciam o nível de energia do animal. Essa calmaria não significa que o cachorro perderá o interesse por brincadeiras e passeios, mas que ele se tornará mais equilibrado e menos impulsivo. Para manter o cachorro saudável e feliz, é fundamental oferecer atividades físicas e mentais que estimulem suas capacidades, evitando o tédio.
A castração pode ajudar na socialização dos cachorros, diminuindo comportamentos competitivos e de dominação relacionados à reprodução. Isso significa que os encontros com outros cães tendem a ser mais tranquilos e agradáveis. No entanto, a socialização também depende da experiência prévia do pet e do ambiente em que vive.
A diminuição dos hormônios sexuais pode tornar alguns cães mais afetuosos, pois eles passam a direcionar mais atenção e energia para os tutores e outros membros da família. Esses animais podem buscar mais carinhos, colo e interações, fortalecendo o vínculo com o tutor.
Alguns cachorros castrados podem apresentar uma leve diminuição no comportamento de guarda, como latidos excessivos para proteger o território. Isso acontece porque a testosterona também influencia comportamentos de vigilância e proteção. No entanto, essa mudança varia muito de acordo com a personalidade e o treinamento do cachorro.
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